AS TRÊS FASES DO PLANEJAMENTO DE UMA PEÇA GRÁFICA


at any season...Tudo que eu aprendi sobre design, aprendi no curso de… edificações. Sim, depois disso eu fiz Publicidade e Propaganda e Design Gráfico – mas no final das contas, os dois cursos só validaram o que eu havia aprendido no primeiro. Você quer saber se eu recomendo para quem quiser trabalhar na área de design o curso de Edificações? Claro que não! Todos alunos de edificações aprenderam o mesmo? Claro que não!

Se você olhar a superfície – e sejamos sinceros, a maioria das pessoas não consegue olhar além do que está diante dos seus olhos – não existe nenhuma semelhança entre edificações e design gráfico. Mas se você olhar a estrutura, aí sim verá que os dois trabalham sobre a mesma base – e essa base pode ser dividida em três grandes momentos:

01. Planta.
02. Estrutura.
03. Acabamento.

O maior sofrimento para quem está começando na área de design gráfico ou web-design é perceber a existência desses dois momentos iniciais (planta e estrutura). A maioria se preocupa com o “acabamento”, e por não destinar muito tempo – ou às vezes nenhum tempo – às fases anteriores, não entende porquê o acabamento que elas esperavam não é o que elas conseguiram…

Mas pausa por um momento: se você é uma daquelas pessoas abençoadas que já cresceram na frente de um computador, abrindo o photoshop e deslumbrando pessoas… Parabéns! Muita sorte e se divirta. No entanto, esse post é para as demais pessoas: para aquelas que olham o layout de um folder, um site ou o que for e sabem que alguma coisa não está muito bem… Mas não conseguem dizer exatamente o quê!

Vamos ver passo a passo:

01. Planta: O que é, para quem é, como deve ser etc… os nosso velhos 05W02H…

A sigla 05W02H é a pergunta para qual a resposta é 42! Se você não entendeu a referência, só indica que temos muito mais pela frente, mas vamos lá. A sigla 05W02H vêm do inglês (What, Where, When, Why, Who, How e How much) se referindo nesse caso a:

  • O que?
  • Onde?
  • Quando?
  • Por quê?
  • Para quem?
  • Como?
  • E por quanto?

Não importa se você vai desenvolver o novo site da IBM, um folder de pizzaria ou uma peça de escola: se você não sabe responder cada uma das questões acima, você não sabe o suficiente para começar a pensar no seu trabalho. Então antes de sentar de frente pro Photoshop, Illustrator, CorelDraw ou mimeógrafo, sente é com uma folha de papel na mão e responda as questões acima. Ou você acha que existe algum engenheiro ou arquiteto que começaria a contratar betoneiras, pedir material e levantas paredes antes de saber se vai construir uma casa, um prédio de apartamentos ou uma churrasqueira? Se qualquer um desses vai ser na cidade, no campo ou na praia? Se deve ficar pronto em um mês ou cinco anos? Se o cliente quer gastar mil reais ou um milhão? Acho que não… E profissionalmente, você também não deveria – estando ainda na escola ou já no mercado de trabalho.

02. Estrutura: o seu chapéu tem 03 pontas???

Minha avó costumava cantarolar algo parecido com isso quando queria nos fazer rir “O meu chapéu tem 03 pontas, tem 03 pontas o meu chapéu, se não tivesse três pontas, não seria o meu chapéu” – Os seus layouts também têm três pontas? Ou melhor, eles têm mais a sua cara do que a cara do cliente ou do que deveriam parecer? Então provavelmente você está esquecendo a fase de “planejamento de estrutrura“. No caso de uma construção, seria entender que você não coloca o telhado na casa, antes de ter feito as fundações. No caso do design é o momento das referências, e da maneira correta de utilizá-las.

Utilizar referências não é plagiar trabalhos: é entender estruturas, ou melhor, é a maneira mais rápida de assimilar estruturas. Com tempo, prática e estudo você entenderá mais a fundo as questões que estão por trás das estruturas. No começo, a melhor forma de entender como se faz uma coisa, é ver como os outros fazem essa mesma coisa. Vai fazer um layout de site? Veja como são os outros sites dos concorrentes, de empresas semelhantes, de empresas grandes e pequenas. Nesse primeiro momento, escolha o que lhe parecer melhor – e não tenha medo: quanto mais prática você tiver, mais vai perceber a cada novo trabalho que tinha muito mau gosto no anterior – é absolutamente normal. Caso contrário, ou é um daqueles abençoados lá de cima – e eu já tinha avisado que este post não era pra você – ou não está produzindo como deveria.

Ainda no caso do site, depois de muito observar, você vai perceber: diferentes backgrounds, topos (headings ou cabeçalhos), rodapés, imagens, menus de navegação etc. Ou seja, se observar bem, perceberá todos os elementos que devem ser pensados em sua peça. Um pouco mais de prática e poderá entender a relação entre eles. Com essa observação, seus layouts poderão deixar de ser uma fotografia chapada do que você “pensa ser” tal peça, e passarão a ser produções no mínimo mais antenadas com o que está sendo feito no mercado – bom ou não, dependerá da sua bagagem estética.

03. Acabamento: não confundir com maquiagem.

Eu sei que você estava ansioso por esse momento, então tudo bem: pode sentar de frente para o computador – embora pessoalmente eu prefira ainda rabiscar numa folha de sulfite antes de tudo.

Se o seu levantamento nas duas fases anteriores foi proveitoso, agora você já está com uma idéia mais clara de como deve ser sua peça. Com isso em mente, você pode parar para pensar em itens como:

  • Que programa vai utilizar (baseado em “que fim” terá a peça).
  • O grid, ou a diagramação da peça.
  • Cores.
  • Tipografia.
  • Etc.

Existe muito, muito, muito material sobre essa fase. Espero que num futuro próximo eu possa cobrir um pouco sobre ela, ou pelo menos oferecer referências significantes.

Termo de garantia: a importância disso tudo.

Adotar essa estrutura de planejamento para uma peça gráfica ou web não o livrará de momentos “ah, mas e se colocarmos isso tudo numa ‘comic sans‘ amarela com o fundo verde limão” – infelizmente. Mas é um passo para uma boa briga, ao profissionalizar o seu trabalho.

Quando eu trabalho em alguma função relacionada a redação, eu realizo muito menos refações. E não é porque eu trabalhe melhor em uma coisa do que na outra – espero que não. Pelo que posso perceber, quando falamos de texto, estamos falando de língua: uma estrutura cheia de regras e “bons costumes”. Já ganhei muitas discussões puxando a carta da “norma culta da língua” mesmo quando ela não se aplicava. Mas com relação a produção escrita, ainda existe um último suspiro de “autoridade” com quem mexe com ela – talvez porque tantas pessoas se apavorem na hora de escrever um parágrafo…

Com a produção visual, infelizmente, não é assim – e a situação não tende a melhorar. As super-máquinas digitais de 500 reais transformaram todos em fotógrafos, e o fácil acesso a programas gráficos tornou todos designers. Seu cliente não sabe o que está envolvido em criar uma peça, do ponto de vista dele, você é uma pessoa com um pouco mais de “bom gosto” que sabe mexer em programas gráficos – e que no final das contas só se diferencia dele por isso mesmo.

Por isso, para o bem estar de todos: não seja um sobrinho. Profissionalize-se e mostre que seu trabalho não brotou simplesmente: ele é resultado de esforço inteligente na solução de um problema.

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